SOS Paraguaçu

Jau Ribeiro – Empresário, agricultor

Há poucos dias chamei a atenção para uma ameaça ao nosso futuro: a falta de oportunidades e de esperança que levam os jovens a deixar Iaçu e outros municípios da nossa região para, na maioria das vezes, não voltar. Desta vez, chamo a atenção para uma ameaça já presente que, apesar de estar à vista de todos, é criminosamente ignorada: a degradação do Rio Paraguaçu.

Não se trata apenas de defender um curso de água vital a sobrevivência de todos nós, mas também, de preservar um patrimônio histórico e que hoje é, sem dúvida alguma, o principal fator de desenvolvimento de uma região que tem na agricultura e no turismo, os seus principais vetores de crescimento econômico e social.

O nosso grande Paraguaçu, o maior rio em extensão inteiramente baiano, unindo a Chapada ao Recôncavo, por onde trafegaram por séculos as riquezas produzidas em nossas terras, está sendo transformado em escoador dos esgotos das cidades que margeiam os seus 600 quilômetros. As suas águas se tornaram também depositárias de entulhos, lixo de todas as ordenas, resíduos industriais e, cada vez mais aceleradamente, a vida no seu leito e entorno vai perdendo a força de resistir.

Nossos pescadores são as testemunhas mais qualificadas na comprovação da agonia do Paraguaçu. Já não temos peixes como tínhamos décadas atrás e a cada ano, a oferta fica ainda menor. Em breve diversas espécies simplesmente não vão ser mais encontradas.

As águas do Rio Paraguaçu são a nossa maior riqueza. Delas, além da pesca, dependem a nossa agricultura e a pecuária. O nosso sonho de atrair agroindústrias para região, como extensão do nosso potencial agrícola, não se viabiliza sem água. Ou seja: não vai acontecer se não salvarmos o nosso grande rio.

Precisamos nos unir em defesa do nosso Paraguaçu. Unidos numa grande campanha de educação ambiental, conscientização, no sentido de sensibilizar o poder público e também a iniciativa privada para a necessária e urgente revitalização do Rio da Integração Baiana.

O Paraguaçu é sim, o nosso São Francisco, só que inteiramente baiano e é em nome dessa baianidade que precisamos nos unir.

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